Que caminho tomar para o desenvolvimento da cadeia de minerais críticos e terras raras no Brasil?

Lógica Industrial: O impacto das grandes decisões no setor. Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (...

Lógica Industrial: O impacto das grandes decisões no setor.
Lógica Industrial: O impacto das grandes decisões no setor.

Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) mostra que haveria basicamente dois caminhos para o desenvolvimento da cadeia de minerais críticos e terras raras no Brasil.

No primeiro, os investimentos seriam financiados majoritariamente por capital doméstico e a produção permaneceria voltada predominantemente à exportação, com baixa agregação de valor no país.

Nesse cenário, o impacto acumulado sobre o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro alcançaria R$ 128,7 bilhões, com geração estimada de 304 mil empregos.

O segundo cenário considera uma maior participação do investimento estrangeiro, expansão do processamento dos minerais no Brasil e utilização crescente desses insumos pela indústria nacional.

Nessa hipótese, os investimentos cresceriam R$ 120,9 bilhões, com impacto acumulado sobre o PIB de R$ 192,1 bilhões e geração estimada de 750 mil empregos.

O estudo foi encomendando pela Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham) e teve apoio da U.S. Chamber of Commerce e de empresas do setor.

Os pesquisadores utilizaram projeções já feitas em outros trabalhos globais e internos no Brasil, de modo a estimar a demanda por esses minerais e de uma possível carteira de projetos de investimentos.

O estudo incluiu as cadeias de cobre, grafita, lítio, níquel e terras raras, minerais considerados essenciais para a transição energética e para tecnologias como baterias, veículos elétricos, turbinas eólicas e aparelhos eletrônicos.

A comparação entre os dois cenários demonstra que a atração de capital internacional e o adensamento das cadeias produtivas pode adicionar R$ 63,4 bilhões ao PIB, R$ 32,3 bilhões ao consumo das famílias, R$ 16,1 bilhões aos investimentos e 446 mil empregos, além dos efeitos já proporcionados pela expansão da mineração.

Os benefícios alcançariam estados produtores e centros industriais, com os maiores impactos sobre o PIB nos estados mineradores, com destaque para Pará (16,0%), Bahia (10,3%), Goiás (10,0%), Piauí (4,0%) e Minas Gerais (3,8%).

No entanto, o fortalecimento do processamento doméstico ampliaria os benefícios para estados com maior presença industrial.

Os maiores ganhos adicionais seriam observados em Santa Catarina, Minas Gerais, São Paulo e Paraná, evidenciando que a agregação de valor ampliaria os efeitos econômicos para além das regiões produtoras.

Na análise setorial, a indústria de transformação apresentaria crescimento acumulado de 1,8% no segundo cenário, quase três vezes superior ao observado no primeiro. Também se destacariam a construção civil (4,5%) e a indústria extrativa (4,2%).

Dentre os segmentos industriais, os maiores impactos seriam registrados em máquinas e equipamentos elétricos (16,7%), máquinas para extração mineral (9,8%), automóveis (5,5%) e máquinas e equipamentos mecânicos (2,9%).

PROJETOS ESTRANGEIROS – O estudo foi divulgado em um momento em que se verifica uma onda de investimentos nesta área, sobretudo após a China restringir as exportações de terras raras aos Estados Unidos em abril de 2025. O país asiático domina a cadeia produtiva, da extração ao processamento.

Com a segunda maior reserva do mundo, o Brasil já vem atraindo cada vez mais mineradoras estrangeiras interessadas em explorar especialmente as terras raras, conjunto de 17 elementos químicos essenciais à transição energética e às indústrias bélica e de tecnologia.

A Agência Nacional de Mineração (ANM) está registrando recordes nos pedidos de exploração. Dos 2.727 requerimentos apresentados até junho deste ano, 86% são de 2023 para cá.

Quase metade (42%) pertence a empresas sediadas no exterior – principalmente na Austrália, nos Estados Unidos e no Canadá – ou a subsidiárias delas.

O avanço dos EUA inclui financiamentos do DFC (banco de desenvolvimento do governo norte-americano) para diferentes mineradoras e a aquisição, em abril, da única produtora comercial de terras raras do Brasil, a Serra Verde, por uma empresa da qual o governo americano é acionista.

Embora as firmas ligadas ao capital estrangeiro representem apenas 12% dos titulares de requerimentos, elas controlam 42% dos pedidos. Isso inclui 31 dos 45 processos mais avançados, já em operação ou pré-operação comercial.

Essa corrida pelas jazidas, contudo, pode trazer riscos ambientais. Ao todo, 25% dos requerimentos se sobrepõem a unidades de conservação ou comunidades tradicionais, ou estão a 10 km desses territórios.

De acordo com avaliação de especialistas em meio ambiente, a essa distância, bastante exígua, projetos de mineração devem certamente causar danos socioambientais.

Das 20 empresas com o maior número de requerimentos, 11 são ligadas a investidores estrangeiros. As mineradoras australianas lideram, com 695 pedidos, seguidas pelas empresas dos Estados Unidos, com 347.

O QUE SÃO AS TERRAS RARAS – Terras raras são um grupo de 17 elementos químicos metálicos essenciais para a fabricação de produtos de alta tecnologia e para a transição energética. Esses 17 elementos incluem o escândio, o ítrio e os 15 lantanídeos, como o neodímio, o cério e o lantânio.

Apesar do nome, elas não são escassos na natureza. Recebem esse nome porque é difícil achá-las concentrados e o processo para separá-las é caro e complexo.

Além das líderes em principais reservas, China e Brasil, a África destaca-se com cerca de 30% das reservas mundiais de minerais críticos, incluindo depósitos promissores de terras raras em países como Tanzânia, África do Sul, Quênia, Nigéria e Moçambique.

Na tecnologia moderna, as terras raras entram na produção de celulares, computadores, telas de LED e equipamentos médicos.Na área de energia verde, são usadas em motores de carros elétricos e em pás de turbinas eólicas.

O preço de 1 kg de terra rara varia muito dependendo do elemento químico específico, do grau de pureza e se o metal é leve ou pesado.

Os valores vão desde cerca de US$ 2 a US$ 15 por quilo para elementos mais comuns (como lantânio ou cério) até mais de US$ 1.000 a US$ 3.600 por quilo para elementos altamente críticos e escassos (como térbio ou disprósio). (texto: Alberto Mawakdiye / foto: Camila Cunha/Divulgação/Serviço Geológico do Brasil)

COMENTÁRIOS

TÉCNICO INDUSTRIAL$type=complex$count=8$l=0$cm=0$rm=0$d=0$host=https://www.etormann.tk

Carregar todos os posts Nenhum post encontrado Ver Tudo Mais Responder Cancelar resposta Deletar Por Início Pág. Posts Ver mais Relacionadas Marcador Arquivo BUSCAR Tudo Sua busca não encontrou nada Voltar Domingo Segunda Terça Quarta Quinta Sexta Sábado Dom Seg Ter Qua Qui Sex Sáb Janeiro Fevereiro Março Abril Maio Junho Julho Agosto Setembro Outubro Novembro Dezembro Jan Fev Mar Abr Maio Jun Jul Ago Set Out Nov Dez agora Há 1 minuto Há $$1$$ minutos Há 1 hora Há $$1$$ horas Ontem Há $$1$$ dia Há $$1$$ Semanas Há mais de 5 semanas Seguidores Seguir Este conteúdo está bloqueado Passo 1: Compartilhe em sua rede social Passo 2: Clique no link compartilhado para retornar Copiar todo o código Selecionar todo o código All codes were copied to your clipboard Can not copy the codes / texts, please press [CTRL]+[C] (or CMD+C with Mac) to copy Súmário