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Argentina zera impostos de exportação sobre aço e alumínio

Argentina zera impostos de exportação sobre aço e alumínio até 2025 para atrair dólares. Medida de Milei pode pressionar preços globais e indústria br

Impactos no Brasil: maior concorrência e riscos para setor siderúrgico, segundo análise econômica.
Milei suspende tributos sobre exportações de metais na Argentina, visando estabilidade cambial - Foto: FP

Medida de Milei pode pressionar preços globais e indústria brasileira, alerta FIEG


Em uma nova investida para atrair divisas estrangeiras e tentar estabilizar a economia argentina, o presidente Javier Milei anunciou nesta quarta-feira (8) a suspensão dos impostos de exportação incidentes sobre o alumínio e o aço produzidos no país.

A medida, válida até 31 de dezembro de 2025, visa impulsionar as vendas externas desses metais em meio a um contexto global de protecionismo, como as tarifas impostas por países como os Estados Unidos. Analistas econômicos brasileiros alertam que a decisão pode intensificar a concorrência internacional, afetando diretamente o setor siderúrgico e metalúrgico do Brasil, um dos principais exportadores mundiais desses produtos.

De acordo com o decreto publicado pelo governo argentino, a isenção responde a "práticas protecionistas" que restringem o acesso de produtos de aço e alumínio ao comércio global, impactando a competitividade das exportações do país. 

O objetivo principal é captar dólares para reforçar as reservas cambiais e sustentar a estabilidade do peso argentino, que enfrenta volatilidade crônica. Essa não é a primeira ação do tipo em 2025: há cerca de duas semanas, Milei eliminou temporariamente os tributos sobre grãos e derivados, como soja e milho, com o intuito de arrecadar até US$ 7 bilhões. A meta foi atingida rapidamente, levando à retomada da taxação, mas o episódio já gerou ondas de choque no mercado agrícola brasileiro.

A análise econômica da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (FIEG), divulgada em 8 de outubro, destaca que a medida atual, embora focada em aço e alumínio, reflete uma estratégia recorrente do governo Milei para priorizar influxos de moeda estrangeira em detrimento de receitas fiscais internas. 

A FIEG pondera que, dado o histórico recente com grãos – onde a Argentina, maior exportadora global de óleo e farelo de soja, aumentou a oferta mundial e pressionou preços para baixo –, não seria surpreendente uma extensão similar a outros setores. Essa dinâmica pode elevar a oferta global de metais, com potenciais efeitos depressivos nos preços internacionais.

No Brasil, o setor industrial já sente os reflexos de políticas semelhantes. A suspensão anterior de impostos sobre grãos argentinos levou a uma maior presença de produtos como trigo no mercado brasileiro, com moinhos locais ampliando compras do vizinho e pressionando os preços internos. Segundo reportagem do InfoMoney, as importações de trigo argentino tendem a crescer, impactando produtores e processadores brasileiros. Analogamente, para aço e alumínio, o Brasil – que exportou cerca de US$ 10 bilhões em produtos siderúrgicos em 2024, conforme dados do Ministério da Economia – pode enfrentar maior competição em mercados como os EUA e a Europa. "A Argentina está apostando em exportações mais baratas para captar dólares, o que pode diluir as margens de lucro dos exportadores brasileiros", avalia um economista consultado pela VEJA, em contexto similar sobre tarifas de Trump que afetam ambos os países.

Principais veículos de comunicação brasileiros repercutem a medida com ênfase nos riscos econômicos bilaterais. O Valor Econômico destaca que a isenção até o fim de 2025 é uma resposta a tarifas internacionais elevadas, como as de 25% impostas pelos EUA sobre aço e alumínio, que atingem tanto Argentina quanto Brasil. Já o O Globo relata que aliados de Milei, como o assessor Keith Bessent, reforçam apoio a Buenos Aires, mas alertam para impactos em negociações comerciais regionais, incluindo o Mercosul. A CNN Brasil, por sua vez, aponta que a indústria argentina espera que a aliança entre Milei e o presidente norte-americano Donald Trump reverta tarifas sobre o aço, beneficiando exportações – o que, indiretamente, poderia intensificar a concorrência com o Brasil, fornecedor de 50% do aço argentino aos EUA.

Especialistas consultados pela Exame e pela Gazeta do Povo veem paralelos com pacotes econômicos anteriores de Milei, como reduções em tarifas de importação para combater a inflação argentina, que indiretamente afetam o comércio bilateral. No entanto, o G1 e a Agência Brasil alertam para efeitos mais amplos: medidas como essas podem frear a atividade econômica argentina a curto prazo, mas elevar a dependência de exportações, pressionando vizinhos como o Brasil em setores chave. "O 'efeito Milei' serve de alerta para o Brasil evitar desequilíbrios fiscais, mas também expõe vulnerabilidades no comércio regional", resume análise da VEJA.

Enquanto a Argentina busca equilíbrio macroeconômico, o governo brasileiro monitora de perto os desdobramentos. Representantes da Confederação Nacional da Indústria (CNI) indicam que negociações no Mercosul serão cruciais para mitigar impactos, especialmente em um ano marcado por tensões comerciais globais. A medida de Milei, embora temporária, reforça a necessidade de políticas industriais robustas no Brasil para enfrentar a volatilidade vizinha.

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