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A solitária luta da indústria brasileira pela soberania tecnológica

Enquanto o Brasil se resigna ao papel de montador de peças importadas, o engenheiro Hertz Oliveira e a Etecnet rompem o cerco com tecnolog...

Enquanto o Brasil se resigna ao papel de montador de peças importadas, o engenheiro Hertz Oliveira e a Etecnet rompem o cerco com tecnologia 100% nacional, criando o menor computador do mundo e fornecendo soluções críticas para a agência espacial americana — tudo isso sem o devido apoio estatal.

Por Emerson Tormann


Em um país que há décadas trocou o desenvolvimento pela mera montagem de kits estrangeiros, a Etecnet surge como uma anomalia de excelência. Fundada pelo engenheiro e pesquisador Hertz Oliveira, a empresa de Brasília não apenas sobreviveu ao que ele chama de "era da escuridão" da tecnologia nacional, mas prosperou, entregando o MiniPC E1 — o menor computador desktop comercial do mundo — e soluções de vídeo utilizadas pela própria NASA.

A trajetória da Etecnet, no entanto, expõe uma ferida aberta na estratégia nacional: a falta de investimentos robustos do governo federal para fomentar uma indústria que seja genuinamente brasileira, e não apenas uma maquiadora de produtos asiáticos.

A validação da tecnologia da Etecnet veio de onde menos se esperava: os Estados Unidos. Durante a feira InfoComm na Flórida, a solução de eGPUs TCP/IP (placas de vídeo externas via rede) da empresa chamou a atenção de fornecedores da NASA. Ao contrário das soluções de mercado que exigiam servidores de meio milhão de reais, a tecnologia brasileira oferecia escalabilidade para video walls de até 100 telas a uma fração do custo e com alta eficiência.

"Eles fizeram uma prova de conceito, a solução foi aprovada e implantada para monitoramento na NASA," relata Hertz.

O feito coloca a Etecnet em um panteão restrito de tecnologia brasileira exportada para setores críticos, provando que o hardware nacional pode competir — e vencer — em performance e custo.

A "idade das trevas" e o descaso estatal

Hertz Oliveira toca em um ponto nevrálgico: o Brasil perdeu o know-how de desenvolvimento.

"Houve uma época em que o Brasil fabricava chips e desenvolvia computadores. Mas entramos em uma escuridão onde o país parou de desenvolver e passou apenas a montar," desabafa o engenheiro.

Hoje, a Etecnet se destaca como uma das raras empresas no país que detém a propriedade intelectual completa de seus computadores, desenhando as placas-mãe do zero. Essa capacidade rendeu à empresa o título de Empresa Estratégica de Defesa (EED) pelo Ministério da Defesa, status compartilhado com gigantes como a Embraer.

Contudo, o abismo entre o potencial e a realidade é cavado pela falta de incentivo. Ao ser questionado sobre a possibilidade de criar hardware aberto (open source) para a comunidade, Hertz foi categórico sobre a barreira financeira: "Eu amaria fazer um computador de hardware aberto, mas preciso de investimento. Gasta-se muito dinheiro para desenvolver tecnologia de ponta." A ausência de uma política industrial agressiva deixa inovadores brasileiros lutando com recursos próprios contra concorrentes globais subsidiados.

Inovação na veia: O MiniPC E1 e a sustentabilidade

O carro-chefe dessa resistência é o MiniPC E1. Cerca de 130 vezes menor que um desktop convencional, ele não é apenas um feito de miniaturização, mas de engenharia de sobrevivência tropicalizada:

  • Eficiência Energética: Consome cerca de 3,3W (menos que uma lâmpada LED), gerando uma economia de mais de 90% na conta de luz corporativa comparado a PCs comuns.
  • Imortalidade de Hardware: Utiliza uma tecnologia de fusíveis regenerativos a nível químico. Se um raio atingir a rede, o componente se "auto-repara" em segundos, uma tecnologia derivada de aplicações militares e adaptada por Hertz para o uso civil.
  • Disc Protect: Um sistema que impede que o Windows se corrompa mesmo se o computador for desligado abruptamente da tomada — uma solução nascida do feedback de escolas públicas do Nordeste brasileiro, onde a instabilidade elétrica era constante.

O Futuro: Computação de Borda e VDI

Olhando para o futuro, a Etecnet aposta na virtualização de desktops (VDI). A empresa transformou seu hardware em terminais que acessam computadores virtuais em servidores, eliminando a obsolescência programada.

"Com VDI, o mesmo hardware que roda Windows 10 hoje rodará o Windows 15 no futuro, pois o processamento está na nuvem," explica Hertz, alinhando a tecnologia nacional às tendências globais de TI Verde e redução de lixo eletrônico.

A lição que fica da Etecnet é clara: o Brasil tem o talento e a capacidade técnica para a soberania tecnológica. O que falta não é engenhosidade, mas um projeto de nação que decida, finalmente, investir em quem constrói o futuro dentro de casa.

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