Análise de Fernando Horta sobre os riscos da aproximação Lula-Trump, o "surto" de Alcolumbre no Senado e a crise na Venezuela para as eleições de 2026
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| O xadrez de 2026 A Aproximação Lula-Trump, o surto de Alcolumbre e a crise Venezuelana (Nano Banana) |
O fio condutor da instabilidade: uma análise integral sobre como Washington, Caracas e o Congresso Nacional cercam o governo Lula
O cenário político brasileiro neste final de 2025 desenha-se sob a sombra de três vetores simultâneos que prometem definir os rumos das eleições de 2026: a pragmática e arriscada reaproximação entre Brasília e Washington, a instabilidade institucional provocada pelo Legislativo e a tensão geopolítica na fronteira norte. Em sua tradicional análise de sexta-feira, o historiador Fernando Horta dissecou esses movimentos, alertando para as armadilhas de uma conciliação que pode custar caro ao governo Lula.
A diplomacia do "policial bom, policial mau"
A recente conversa telefônica entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente eleito dos EUA, Donald Trump, ocorrida no início desta semana, foi tratada pelo Palácio do Planalto como um triunfo diplomático. Lula relatou encontrar um Trump "diferente do da televisão", mais aberto ao diálogo sobre as tarifas comerciais que ameaçam a economia brasileira. No entanto, a análise de Horta sugere cautela: quem está normalizando quem?
Para o historiador, a estratégia de Lula de buscar uma convivência pacífica com o líder da extrema-direita global pode ser um erro de cálculo. Ao "amaciar" a imagem de Trump para a América Latina, Lula corre o risco de legitimar a força política que serve de inspiração para a oposição bolsonarista no Brasil. Economicamente, a promessa de revisão das sobretaxas de 40% a 50% sobre produtos brasileiros é o "doce" oferecido por Washington, mas o preço político pode ser a submissão a uma agenda de segurança e isolamento da Venezuela, enfraquecendo a liderança regional do Brasil às vésperas do ano eleitoral.
O "surto" de Alcolumbre e o cerco institucional
Internamente, o governo enfrenta o que Horta classificou como o "surto" do senador Davi Alcolumbre (União-AP). Fortalecido no comando da CCJ e virtual presidente do Senado, Alcolumbre elevou o tom da chantagem política ao travar pautas cruciais e cancelar sabatinas de indicados do governo, como a de Jorge Messias, alegando "omissão grave" do Executivo.
Este movimento não é isolado. Ele ocorre em consonância com o avanço da chamada "PEC da Blindagem", que visa restabelecer o voto secreto para proteger parlamentares de ações judiciais — uma manobra que blinda o "Centrão" contra o STF. A análise de Horta aponta que a insistência de Lula em conciliar com essas forças, em vez de disputar a narrativa com a sociedade, deixa o governo refém. Para 2026, isso sinaliza um Executivo com pouca margem de manobra orçamentária e política, dependente de um Congresso cada vez mais hostil e autônomo.
A bomba relógio na fronteira
O terceiro vértice dessa tempestade perfeita é a Venezuela. Com Trump declarando o espaço aéreo venezuelano "fechado" e sinalizando intervenções, o Brasil se vê em uma encruzilhada. A política externa brasileira, que tentou mediar a crise pós-eleitoral de 2024 vetando a entrada da Venezuela nos BRICS, agora lida com o risco real de desestabilização regional.
Segundo a análise da live, a postura errática do Brasil — tentando agradar gregos e troianos — pode ter isolado o país. Se a economia venezuelana colapsar sob novas sanções ou intervenção, o impacto migratório e econômico em Roraima e no norte do país será imediato, fornecendo munição para o discurso de "ordem e segurança" da direita nas eleições de 2026.
Impactos para 2026
A convergência desses fatores cria um cenário delicado para a reeleição ou sucessão no campo progressista. A economia, embora resiliente, fica à mercê do humor de Trump e das chantagens do Congresso. Politicamente, a tentativa de Lula de "domar" o tigre (seja ele Trump ou o Centrão) alimentando-o pode resultar no fortalecimento dos adversários que disputarão o poder no próximo ano.
Como conclui Horta, o perigo reside na ilusão da normalidade: ao tratar atores que jogam fora das quatro linhas como parceiros convencionais, o governo pode estar pavimentando, paradoxalmente, o caminho para o retorno do extremismo ao poder no Brasil.
Para conferir a análise completa e detalhada do historiador sobre estes temas, assista ao vídeo abaixo:
Live do Horta | Lula e Trump e a análise da conjuntura
Este vídeo oferece a fonte primária da análise crítica utilizada no texto, detalhando os argumentos de Fernando Horta sobre os riscos da política de conciliação de Lula frente ao cenário internacional e doméstico de 2025.









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