Levantamento do Real Time Big Data ignora crise bancária institucional e é visto como "vacina" contra a nova candidatura da distrital Paula Belmonte.
Laços dos donos do instituto com o MDB e a "sombra do BRB" descredibilizam resultados
O cenário político do Distrito Federal foi sacudido nesta terça-feira por uma pesquisa do instituto Real Time Big Data que desenha um cenário de "já ganhou" para a vice-governadora Celina Leão (PP) nas eleições de 2026. Com números que chegam a 50% das intenções de voto, a sondagem sugere uma consolidação absoluta do grupo de Ibaneis Rocha (MDB).
No entanto, nos bastidores do poder e nas análises independentes, o levantamento é recebido com forte ceticismo. A divulgação ocorre em um momento estratégico: dias após a Deputada Distrital Paula Belmonte se filiar ao PSDB-DF com apoio de pesos-pesados como Reguffe, e em meio ao ensurdecedor escândalo envolvendo a gestão do BRB (Banco de Brasília) — um "elefante na sala" que os números de aprovação do governo parecem convenientemente ignorar.
Realizada entre 6 e 8 de dezembro com 1.200 eleitores, a pesquisa coloca Celina Leão com 40% no cenário com José Roberto Arruda (21%) e 50% sem ele. Leandro Grass (PT) aparece estacionado entre 13% e 16%.
Porém, a lupa sobre a credibilidade do Real Time Big Data revela conexões políticas que explicam a desconfiança da oposição. O instituto tem entre seus sócios principais o cientista político Bruno Soller, figura com histórico de atuação no MDB — partido do governador Ibaneis Rocha — e na gestão pública de São Paulo.
Analistas relembram que, em 2018, uma pesquisa do mesmo instituto na Paraíba chegou a ser barrada pela Justiça Eleitoral devido a conexões partidárias. A suspeita levantada nos corredores da CLDF é clara: estaria o instituto, cujos donos possuem trânsito livre no campo governista, inflando a percepção de sucesso para blindar a gestão contra as investigações do BRB?
"É no mínimo curioso que, num momento em que o BRB enfrenta denúncias de gestão temerária e uso político, o governo Ibaneis apareça com 63% de aprovação e Celina despenque na frente. Parece uma tentativa de criar uma realidade paralela para estancar a sangria," avalia o Atualidade Política.
"Vacina" contra Paula Belmonte e o apoio de Reguffe
Outro ponto nevrálgico é a posição atribuída à Deputada Distrital Paula Belmonte. Recém-filiada ao PSDB em um grande evento na última quarta-feira (3/12), ao lado de Aécio Neves e Marconi Perillo, Paula surge na pesquisa com discretos 6% a 7%.
A leitura política é de que o levantamento tenta "congelar" a tucana nesse patamar antes que ela capitalize seu maior trunfo: o apoio explícito do ex-senador Reguffe (Solidariedade). Presente no ato de filiação, Reguffe classificou Paula como o "caminho do meio", endossando uma candidatura focada em gestão eficiente e combate à corrupção.
Com uma rejeição de apenas 22% — muito inferior aos 53% de Arruda e 27% de Celina —, Belmonte tem potencial de crescimento que a pesquisa atual parece querer minimizar. Sua estratégia de atrair apoios plurais, que vão de Maria de Lourdes Abadia a Leila do Vôlei, indica uma construção de centro capaz de ameaçar a polarização.
Guerra de narrativas
Nas redes, a pesquisa virou campo de batalha. Contas de análise eleitoral como @EleicaoBr2026 deram tração aos números de Celina, enquanto veículos como CNN Brasil e Metrópoles repercutiram a liderança da vice.
Entretanto, a reação não foi unânime. Perfis críticos como @Fa1ryNight atacaram a movimentação de Belmonte por suas ligações pregressas com figuras conservadoras, enquanto o @diarioceilandia analisou a estratégia tucana de recuperação no DF. A discussão no X (antigo Twitter) expôs a fratura: de um lado, a máquina governista celebrando a continuidade; do outro, eleitores questionando a desconexão entre os índices de "ótima gestão" e a realidade dos serviços públicos.
O Jogo apenas começou
A pesquisa do Real Time Big Data cumpriu seu papel de pautar o debate e tentar impor um clima de inevitabilidade à vitória de Celina Leão. Contudo, ao ignorar o desgaste do escândalo do BRB e as conexões de seus proprietários com o partido do governo, o instituto deixa margem para dúvidas.
Com a entrada de Arruda no tabuleiro (agora ventilado no PSD) e a articulação de Paula Belmonte como a via da "moralidade administrativa" apoiada por Reguffe, a corrida ao Buriti em 2026 está longe de ser a via expressa que os governistas tentam vender em 2025.
Ficha Técnica: Pesquisa Real Time Big Data. Data: 6 a 8 de dezembro de 2025. Amostra: 1.200 entrevistas. Margem de erro: 3 p.p. Confiança: 95%










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