Em entrevista à TV 247, presidente do Iphan detalha os bastidores da crise que abala o GDF e o bolsonarismo, conectando a omissão do gover...
Em entrevista à TV 247, presidente do Iphan detalha os bastidores da crise que abala o GDF e o bolsonarismo, conectando a omissão do governador no rombo bilionário do BRB à sua postura no 8 de janeiro
O Distrito Federal vive dias de tensão máxima. Em uma semana marcada por duas "tempestades" políticas — a Operação Compliance Zero, que desvelou fraudes no Banco Master e no BRB, e a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro —, o historiador Fernando Horta recebeu no programa Horta da Verdade (23/11) o presidente do Iphan, Leandro Grass. A conversa expôs as entranhas de uma crise que, segundo Grass, revela um modus operandi de evasão de responsabilidade por parte do governador Ibaneis Rocha (MDB) e projeta um cenário incerto para 2026.
O rombo do Banco Master e a "inocência" de Ibaneis
O ponto central da entrevista foi o escândalo financeiro que atingiu em cheio o Palácio do Buriti. A Polícia Federal deflagrou a operação Compliance Zero para investigar a emissão de títulos de crédito falsos, expondo um esquema que, segundo notícias recentes, gerou um rombo estimado em R$ 56 bilhões, ameaçando fundos públicos e aposentadorias.
Leandro Grass foi categórico ao responsabilizar a cúpula do GDF pela tentativa desastrosa de aquisição de ativos do Banco Master pelo BRB (Banco de Brasília). "O governador Ibaneis Rocha e a vice-governadora Celina Leão estavam profundamente envolvidos na tentativa de compra do Master pelo BRB. Ibaneis chegou a dizer que 'iria para cima' quando o Banco Central suspendeu a operação", relembrou Grass.
Para o presidente do Iphan, a postura atual de Ibaneis — que alega desconhecimento e "inocência" sobre as fraudes — segue um padrão já visto em outras crises, como no colapso da saúde pública e nos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2024. "Isso é método. Diante de situações de crise, ele foge. Fez isso na saúde, fez isso na eleição fugindo dos debates, e fez no 8 de janeiro", disparou Grass.
A análise de Grass ganha força com as repercussões políticas noticiadas na última semana. Veículos de imprensa reportam que o Partido Liberal (PL) já reavalia o apoio à candidatura de Ibaneis ao Senado em 2026, temendo o contágio tóxico do escândalo financeiro, que envolveu um aporte de mais de R$ 12 bilhões do BRB em ativos "podres" ou inexistentes.
Prisão de Bolsonaro e o fim da impunidade
O segundo eixo da conversa foi a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro, ocorrida no sábado (22/11/2025), após a constatação de violação da tornozeleira eletrônica. Grass destacou o simbolismo do evento para a democracia brasileira, ressaltando que, diferentemente do tratamento dado a opositores no passado, o devido processo legal e a dignidade do réu foram preservados.
"A prisão se deu porque ele tentou violar a tornozeleira com solda, possivelmente planejando uma fuga. Isso mostra que a lei vale para todos", afirmou Grass. Ele conectou o episódio ao sentimento de justiça que a população trabalhadora anseia, contrastando a impunidade histórica das elites com a dureza da lei para os mais pobres.
Futuro da esquerda e a disputa de narrativas
Olhando para 2026, Grass fez uma autocrítica construtiva ao campo progressista. Ele argumentou que a esquerda precisa ir além da razão e reconquistar o "afeto" e o "sonho" do eleitorado, especialmente da classe trabalhadora que, por desilusão, flertou com o bolsonarismo.
"A política não é só razão, é emoção. Lula vence porque se conecta com a dor e a esperança do povo", analisou. Grass defendeu que o caminho para derrotar o projeto de poder que, segundo ele, "governa para ricos e deixa a população de rua aumentar 20% no DF", é apresentar resultados concretos e acolher, sem julgamentos precipitados, o eleitor arrependido.
Memória como vacina
Como presidente do Iphan, Grass finalizou destacando a importância das políticas de memória — seja sobre a ditadura, a Covid-19 ou o 8 de janeiro — não apenas como registro do passado, mas como ferramenta para impedir a repetição de tragédias. "Quando falamos de memória, estamos falando de futuro. O esquecimento permite que o negacionismo e o autoritarismo retornem", concluiu.
A entrevista de Leandro Grass desenha um quadro claro: o Distrito Federal está em uma encruzilhada. Com o governador Ibaneis Rocha pressionado por um escândalo bancário bilionário e seu principal aliado nacional preso, o tabuleiro político para 2026 começa a ser reconfigurado sob o signo da responsabilidade fiscal e democrática.
Assista à entrevista completa na TV 247: Clique aqui para assistir no Youtube










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