Fim de sobretaxas dos EUA devolve competitividade ao agro, mas normalização plena é lenta, alertam analistas

Em vídeo divulgado nesta quinta-feira (20), o presidente Lula classifica a suspensão parcial das tarifas de 40% pelos EUA como um "sina...

Em vídeo divulgado nesta quinta-feira (20), o presidente Lula classifica a suspensão parcial das tarifas de 40% pelos EUA como um "sinal importante", indicando o início de uma descompressão nas relações comerciais com o governo Trump após meses de negociações. (Bruno Peres/Agência Brasil)
Em vídeo divulgado nesta quinta-feira (20), o presidente Lula classifica a suspensão parcial das tarifas de 40% pelos EUA como um "sinal importante", indicando o início de uma descompressão nas relações comerciais com o governo Trump após meses de negociações. (Bruno Peres/Agência Brasil)

Retirada das tarifas extras de 40% beneficia café e carnes, mas aço e produtos industriais seguem pressionados pela política protecionista americana


A competitividade das exportações brasileiras para os Estados Unidos começou a dar sinais de recuperação após o recuo estratégico do governo Donald Trump na guerra comercial iniciada em meados deste ano. O anúncio da retirada das tarifas adicionais de 40% sobre produtos agrícolas — incluindo café, carne bovina e suco de laranja — trouxe alívio imediato, mas especialistas ouvidos pela reportagem alertam: a retomada da normalidade comercial será gradual e o cenário ainda exige cautela, especialmente para a indústria.

A medida, fruto do avanço nas negociações diplomáticas entre Brasília e Washington, representa um respiro fundamental para o agronegócio. No entanto, o "tarifaço" deixou sequelas e restrições que ainda afetam a maior parte da pauta exportadora nacional.

Para entender a dimensão técnica da medida, a reportagem conversou com José Luiz Pimenta, diretor de Relações Governamentais e Comércio Internacional da BMJ. Segundo o especialista, a nova ordem executiva se soma às isenções anunciadas na semana anterior, criando um bloco robusto de desoneração.
“Há uma redução substancial, chegando a zerar algumas dessas tarifas. Outras retornam ao piso da chamada 'Tarifa de Nação Mais Favorecida', que é uma taxa base historicamente baixa nos Estados Unidos. De maneira geral, sim: vários produtos tiveram as barreiras zeradas para entrar no mercado norte-americano”, explica Pimenta.
Na prática, o movimento devolve preço e competitividade ao exportador brasileiro. Estima-se que 10% do volume total exportado pelo Brasil aos EUA no último ano passe a se beneficiar diretamente dessa redução, recolocando o país em pé de igualdade com concorrentes que não sofreram as sanções de julho.

Alívio no agro, gargalo na indústria

Apesar do otimismo no campo, o setor industrial enfrenta uma realidade mais dura. O aço brasileiro, por exemplo, permanece submetido à tarifa global de 50% prevista na polêmica Seção 232. No balanço geral, cerca de 60% das exportações brasileiras ainda enfrentam algum tipo de barreira tarifária ou cota restritiva.

A economista Mariana Almeida, analista do Times Brasil, destaca que a cicatriz da instabilidade permanece.
“A imposição das sobretaxas ocorreu em um ambiente que já era sensível, ampliando a percepção de risco. Com a reversão atual, o cenário se aproxima do patamar anterior, mas não retorna totalmente ao ambiente de tranquilidade que tínhamos em abril, antes da escalada das tensões”, pondera a economista.
Pimenta reforça o alerta: setores estratégicos da indústria de transformação continuam sob tarifas que variam entre 40%, 50% e até 65%, o que exige a manutenção do estado de alerta por parte do governo brasileiro e das entidades de classe.

Por que Washington recuou?

A análise dos especialistas aponta que a decisão de Trump não foi apenas um gesto de boa vontade diplomática, mas uma resposta a pressões internas e econômicas. Três fatores foram decisivos para a reversão das taxas no setor de alimentos:
  • Inflação Americana: Muitos dos produtos sobretaxados (como café e frutas tropicais) não possuem produção interna suficiente nos EUA. O custo da tarifa estava sendo repassado diretamente ao consumidor final, atingindo a base eleitoral de menor renda do governo Trump.
  • Diplomacia Ativa: A ordem executiva cita explicitamente os progressos no diálogo bilateral, sinalizando que a Casa Branca reconheceu os esforços de negociação do Brasil.
  • Lobby Conjunto: O setor privado de ambos os países atuou de forma coordenada para demonstrar, com dados, que a tarifa tinha motivação política, mas gerava prejuízo econômico mútuo.

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