Copom deve adiar corte da Selic para 2026, mesmo com alívio em custos da indústria

Investidores tentam, neste momento, calibrar as apostas sobre quando o ciclo de redução da Selic deve começar

Copom deve manter Selic parada em 15% em meio à pressão do governo por cortes de juros
Comitê de Política Monetária (Copom). Foto: Beto Nociti/BCB

Mercado prevê manutenção dos juros em 15%

Edição: Emerson Tormann*

O Comitê de Política Monetária (Copom) deve manter a taxa básica de juros, a Selic, inalterada em sua decisão desta quarta-feira (05/11), e o mercado já projeta que eventuais cortes fiquem apenas para 2026. Essa é a principal conclusão da análise econômica divulgada pela FIEG, que aponta para uma postura de cautela do Banco Central, apesar da redução dos riscos inflacionários no país.

Segundo o documento, a diretoria do Copom não deve emitir sinais de que um ciclo de cortes de juros esteja próximo. A decisão de manter a taxa elevada será amparada, mais uma vez, na preocupação com o cenário fiscal de médio e longo prazo e no ritmo da atividade econômica.

Essa rigidez na política monetária contrasta com a diminuição dos riscos de inflação e uma convergência do IPCA para níveis mais baixos. Para a FIEG, embora existam sinais "incipientes" de acomodação no mercado de trabalho, eles ainda não são suficientes para alterar a percepção do Banco Central.

O paradoxo da indústria: produção em queda, custos em baixa

Enquanto a Selic elevada visa conter a demanda, o setor produtivo já demonstra sinais de arrefecimento. A produção industrial brasileira registrou um recuo de 0,4% na passagem de agosto para setembro, revertendo parte dos ganhos registrados no mês anterior. O resultado veio em linha com as projeções do mercado financeiro.

O paradoxo é que, ao mesmo tempo em que a produção cai, os custos no atacado dão sinais claros de alívio. A análise da FIEG destaca que o IGP-DI de outubro, a ser divulgado em breve, deve consolidar um movimento de deflação mais pronunciado nos estágios iniciais da cadeia produtiva.

Este movimento segue a surpresa positiva do IGP-M, que já registrou deflação superior às expectativas. O fator principal para essa queda é a "significativa desaceleração dos preços de commodities agrícolas", um movimento amplo e notório, segundo a entidade.

Na visão da FIEG, esse cenário sugere uma "distensão do ciclo de desinflação do IPCA", o que mitiga consideravelmente os riscos inflacionários de médio prazo. Essa trajetória de alívio nos custos produtivos cria o que a análise chama de um "colchão importante" para a economia.

Cenário externo e balança comercial

No front externo, o recente entendimento comercial entre China e EUA também é visto como um fator de baixa adicional para os preços das commodities agrícolas no mercado global.

Para a balança comercial brasileira, a expectativa é de uma recuperação substancial em outubro, após uma forte contração em setembro. A projeção é de um superávit de aproximadamente US$ 6,3 bilhões, impulsionado principalmente por uma desaceleração no volume de importações. Esse desempenho deve proporcionar um alívio para o resultado das transações correntes do país.

*Texto baseado na Pílula Econômica da FIEG, de 05 de novembro de 2025, elaborada pelo economista-chefe André Galhardo.

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