Lula capitaliza crises com EUA e evangélicos, enfraquecendo bolsonarismo. Na Faria Lima, conversas já falam em reeleição de Lula no primeiro turno.
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| São Paulo (SP), 10/10/2025 - Presidente Lula conversa durante anúncio do novo modelo de crédito imobiliário, no Centro de Convenções Rebouças. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil |
Vitória de Lula em 2026 é avaliação corrente há tempos na Faria Lima, onde já tem gente falando até em reeleição no primeiro turno
O que era impensável há pouco mais de um ano agora ecoa nos corredores da Avenida Faria Lima, o epicentro do mercado financeiro brasileiro: conversas entre banqueiros, investidores e analistas já projetam não apenas a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2026, mas uma vitória convincente no primeiro turno. Essa virada drástica reflete a resiliência política de Lula, que conseguiu inverter um quadro de descrédito profundo, onde o próprio mercado prognosticava o colapso iminente de seu governo, afirmando que ele não chegaria ao final de 2025.
Apenas em dezembro de 2024, pesquisas revelavam que 90% do mercado financeiro avaliava negativamente o governo Lula, com índices de rejeição que apontavam para uma administração "acabada" e sem perspectiva de sobrevivência até o fim do mandato. Essa percepção era alimentada por críticas à gestão econômica, instabilidades políticas e uma aprovação popular claudicante, levando analistas a duvidarem da capacidade do Planalto de navegar por crises como a inflação persistente e o desequilíbrio fiscal. Em novembro de 2023, por exemplo, a rejeição ao governo na Faria Lima já atingia 52%, com investidores expressando decepção aberta após os primeiros meses da administração. Banqueiros chegavam a comparar o desempenho de Lula 3 ao de seu primeiro mandato, afirmando que o atual perdia de "7x1".
No início de 2023, a reação imediata do mercado à posse de Lula foi de desconfiança, com alta do dólar e dos juros futuros, sinalizando temores de políticas intervencionistas e gastos excessivos. Em setembro do mesmo ano, quase metade dos agentes financeiros rejeitava abertamente o governo, considerando metas como o déficit zero uma "missão impossível". Essa narrativa de fracasso iminente persistiu, com o mercado pessimista quanto à economia e vendo o governo como instável, incapaz de sustentar-se até 2025 em meio a pressões externas e internas.
Contudo, a força política de Lula emergiu como o fator decisivo para reverter esse cenário sombrio. Acertos estratégicos, como a gestão da crise com os Estados Unidos sob a administração de Donald Trump, permitiram ao presidente reposicionar-se como defensor da soberania nacional, roubando da direita o monopólio do patriotismo. Diálogos com Trump, incluindo uma conversa telefônica e encontros diplomáticos, amenizaram tensões que pareciam inevitáveis, mesmo com tarifas americanas ainda em vigor. Paralelamente, a aproximação com lideranças evangélicas, culminando na indicação de um ministro evangélico para o STF e fotos simbólicas de orações no Palácio do Planalto, quebrou barreiras históricas e enfraqueceu o bolsonarismo em seu reduto mais forte.
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| São Paulo (SP), 14/08/2025 - O ministros Carlos Favaro e Renan Filho durante Leilão da Rota Agro (BRs 060/364/GO/MT), na B3. Foto: Paulo Pinto/Agência |
Esses movimentos não só revitalizaram a imagem de Lula, mas também expuseram as fraturas na oposição. Com Jair Bolsonaro condenado e fragmentando a direita, figuras como Tarcísio de Freitas mostram desânimo com a corrida presidencial, enquanto o bolsonarismo perde terreno. Na Faria Lima, onde outrora o entusiasmo era por candidaturas alternativas como a de Tarcísio, agora o consenso é de que Lula capitalizou derrotas alheias para fortalecer-se, transformando uma administração "apagada" em uma força dominante.
Essa mudança de postura é confirmada por reportagens recentes em veículos como o PlatôBR, que detalha as conversas sobre reeleição no primeiro turno, e o Brasil247, que destaca o enfraquecimento do bolsonarismo e os avanços internacionais de Lula. No Estado de Minas, a narrativa é similar, enfatizando o otimismo crescente no mercado financeiro. Para o passado pessimista, publicações como a CNN Brasil reportaram a rejeição de 90% em 2024, enquanto VEJA e Seu Dinheiro documentaram a decepção inicial e o aumento da rejeição em 2023. Esses posicionamentos ilustram a volatilidade do mercado, mas sobretudo a habilidade de Lula em navegar crises e reconquistar confiança onde ela parecia perdida.












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