Foto: Gustavo Porpino / Embrapa Nova versão da ferramenta amplia matérias-primas e alinha metodologia de cálculo de carbono ao padrão inte...
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| Foto: Gustavo Porpino / Embrapa |
Nova versão da ferramenta amplia matérias-primas e alinha metodologia de cálculo de carbono ao padrão internacional CORSIA, movimento visto como estratégico para consolidar o país como potência em combustíveis sustentáveis de aviação
Em um movimento estratégico para se posicionar como líder global no nascente mercado de Combustíveis Sustentáveis de Aviação (SAF), o Brasil anunciou uma grande atualização na RenovaCalc, a ferramenta oficial para calcular a pegada de carbono dos biocombustíveis no âmbito da Política Nacional de Biocombustíveis (RenovaBio).
A atualização, detalhada no artigo científico “Advancing RenovaCalc: the Brazilian tool for calculating the carbon intensity of sustainable fuels in alignment with international policies”, publicado no início de 2025, é focada na expansão do módulo HEFA (Hydroprocessed Esters and Fatty Acids). Este módulo é crucial para estimar as emissões de SAF produzidos a partir de óleos vegetais e gorduras residuais.
Desenvolvidas pela Embrapa Meio Ambiente, com fomento da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e da Fundação de Apoio à Pesquisa e ao Desenvolvimento (Faped), as melhorias agora aguardam validação e consulta pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), processo previsto para ser concluído até 2026.
“A versão atual da ferramenta considerava principalmente a soja como matéria-prima, mas a nova versão incorporou também o óleo de palma, permitindo análises mais abrangentes e representativas da diversidade agrícola brasileira”, explica Marília Folegatti, pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente.
Alinhamento com CORSIA é chave para exportação
O principal avanço da atualização é a maior compatibilidade da RenovaCalc com os parâmetros do CORSIA (Programa de Compensação e Redução de Carbono para a Aviação Internacional), estabelecido pela Organização da Aviação Civil Internacional (OACI).
Esse alinhamento é vital. A partir de 2027, o Brasil terá mandatos regulatórios para o uso de SAF, e o alinhamento ao CORSIA garante que os combustíveis certificados pelo RenovaBio sejam reconhecidos internacionalmente. Isso abre uma janela de oportunidade para a exportação e fortalece a credibilidade dos produtos brasileiros no mercado global, que busca desesperadamente por soluções de descarbonização para o setor aéreo.
“Essa atualização aproxima a RenovaCalc das metodologias de avaliação empregadas por agências e organismos internacionais, tornando os resultados comparáveis”, destaca Folegatti.
Edgar Silveira, professor da Universidade de Brasília (UnB) e pesquisador do Laboratório de Energia e Ambiente (LEA/UnB), ressalta o esforço interinstitucional. “Nosso objetivo é garantir que cada aprimoramento esteja alinhado aos referenciais internacionais de sustentabilidade, sem perder a aderência às particularidades da matriz energética brasileira”, afirma.
Desafios regulatórios persistem
Apesar da convergência metodológica ser um marco, o estudo aponta que ainda existem desafios regulatórios para uma harmonização completa. Segundo Priscila Sabaini, analista da Embrapa Meio Ambiente, as principais divergências estão nas regras de elegibilidade de matérias-primas, critérios de mudança no uso da terra (land-use) e na contabilização de créditos de carbono.
Giulia Lamas, que também participou do estudo, reforça que essa convergência é essencial para "assegurar que a produção de combustíveis sustentáveis traga benefícios reais em termos de redução de gases de efeito estufa (GEE), sem gerar impactos colaterais negativos, como o desmatamento".
O papel dos CBIOs na aviação
A RenovaCalc é a base da RenovaBio, permitindo que o desempenho ambiental de um produtor se traduza em valor econômico através dos créditos de descarbonização (CBIOs). Ao alinhar suas métricas ao CORSIA, o Brasil prepara o terreno para que seus CBIOs e seu biocombustível certificado possam, com os devidos ajustes, atender às exigências do mercado aéreo global.
Para os pesquisadores, o avanço da RenovaCalc reflete a maturidade técnica da RenovaBio e consolida a ferramenta como um instrumento estratégico na transição energética, unindo rigor científico e potencial econômico para posicionar o Brasil como protagonista na agenda global de descarbonização.
Referências e contexto
A discussão sobre a liderança do Brasil no mercado de SAF e a importância do alinhamento regulatório têm sido pauta constante nos principais veículos de comunicação e portais do setor energético:
- Portal Embrapa (Outubro 2025): Ferramenta brasileira RenovaCalc avança na avaliação da pegada de carbono dos combustíveis sustentáveis
- Cana Online (Outubro 2025): Brasil está pronto para liderar biocombustíveis em aviões e navios
- Agência Gov (Junho 2025): RenovaBio: ANP aprova nova norma para certificação de biocombustíveis
- Petrobras (Janeiro 2025): SAF: veja como investimos em tecnologia rumo ao futuro dos combustíveis sustentáveis
- Artigo Científico (ResearchGate): Advancing RenovaCalc: the Brazilian tool for calculating the carbon intensity...










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