Os minerais críticos incluem recursos como nióbio, lítio, cobalto, grafite, cobre, urânio e as chamadas terras raras; na foto, mina de nióbi...
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| Os minerais críticos incluem recursos como nióbio, lítio, cobalto, grafite, cobre, urânio e as chamadas terras raras; na foto, mina de nióbio em Catalão (GO) - ANM/Divulgação |
Em meio a crescentes tensões comerciais globais, a Federação das Indústrias do Estado de Goiás (FIEG) emitiu um alerta econômico nesta quarta-feira destacando que a possível imposição de tarifas sobre exportações chinesas de terras raras pelo G7 e pela União Europeia (UE) representa uma oportunidade estratégica para o Brasil. A medida, visando reduzir a dependência de Pequim, poderia estimular investimentos na indústria extrativa nacional, com impactos positivos no setor industrial e econômico, especialmente em regiões como Goiás, rica em depósitos desses minerais críticos.
De acordo com o comunicado da FIEG, os debates no G7 e na UE envolvem a criação de pisos de preços para incentivar a produção global de terras raras – um grupo de 17 elementos químicos essenciais para tecnologias de transição energética, eletrônicos e defesa. Essa iniciativa surge como resposta aos controles mais rígidos impostos pela China em abril de 2025 sobre suas exportações, retaliando tarifas americanas. A China domina o mercado, com cerca de 45% das reservas mundiais e quase o monopólio na produção e refino. Como resultado, o alerta aponta que o Brasil, detentor da segunda maior reserva global (estimada entre 19% e 23% do total), poderia se beneficiar de uma diversificação das cadeias de suprimento, fomentando novos investimentos e elevando a demanda por minerais estratégicos.
Especialistas e veículos de comunicação brasileiros têm ecoado essa perspectiva, correlacionando o cenário geopolítico com o potencial econômico nacional. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, já defendeu a inclusão da exploração de minerais críticos, como terras raras, em pacotes de incentivos fiscais para mitigar impactos de tarifas internacionais, posicionando o Brasil como um "trunfo" nas negociações comerciais. Em julho, reportagens destacaram o interesse dos Estados Unidos nas reservas brasileiras, especialmente em meio ao "tarifaço" proposto por Donald Trump, que ameaçou elevar barreiras sobre produtos chineses, incluindo ímãs de terras raras. Analistas apontam que tais restrições chinesas, usadas como "arma estratégica", abrem espaço para o Brasil fornecer até 35% da oferta mundial nos próximos anos, impulsionando a produção de componentes manufaturados de alta tecnologia no país.
No contexto regional, Goiás emerge como polo central dessa transformação. O estado concentra depósitos significativos de terras raras e outros minerais críticos, com uma cidade local sendo a única fora da Ásia a produzir quatro elementos essenciais em escala comercial, como neodímio, praseodímio, disprósio e térbio, usados em setores aeroespacial, automotivo e de energia limpa. Recentemente, o governo goiano negociou acordos com o Japão para exploração, enquanto projetos como o da empresa Aclara Resources preveem investimentos de US$ 1,2 bilhão, com potencial de gerar US$ 576 milhões em capex e uma taxa de retorno de 29%. Esses desenvolvimentos, segundo a FIEG, criariam um "efeito transbordamento" para a indústria manufatureira brasileira, ampliando a relevância do país na geopolítica de insumos industriais de próxima geração.
Entretanto, desafios persistem. Exportações brasileiras de terras raras atingiram recorde no primeiro semestre de 2025, com US$ 7,5 milhões, mas ainda representam uma fração mínima do mercado global, com a China como principal destino. Além disso, aquisições chinesas de minas no Brasil, como em níquel, têm gerado tensões com os EUA, inserindo o país no centro da guerra comercial. Economistas alertam que, sem políticas robustas de beneficiamento local, o Brasil corre o risco de se tornar mero exportador de commodities, sem capturar o valor agregado da cadeia produtiva.
O alerta da FIEG reforça a urgência de o Brasil capitalizar essa janela de oportunidade, alinhando-se à transição energética global e reduzindo vulnerabilidades econômicas. Com o debate no G7 ganhando tração, o setor industrial brasileiro pode ver um impulso significativo, desde que haja coordenação entre governo, indústria e investidores internacionais.










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