Efeitos da Selic impulsionam melhora nos preços e freiam crédito

Economia goiana avançou 9,3%, em julho, maior resultado entre todos os estados brasileiros -  Foto: SGG Análise da FIEG desta segunda- feira...


Economia goiana avançou 9,3%, em julho, maior resultado entre todos os estados brasileiros - Foto: SGG
Economia goiana avançou 9,3%, em julho, maior resultado entre todos os estados brasileiros - 
Foto: SGG

Análise da FIEG desta segunda- feira (29) aponta desaceleração econômica com impactos no setor industrial


A economia brasileira exibe sinais de moderação em setembro, com a inflação acelerando de forma menos intensa que o esperado e o crédito desacelerando, reflexos diretos do ciclo de alta da taxa Selic, iniciado pelo Banco Central para conter pressões inflacionárias.

De acordo com análise divulgada nesta segunda-feira pela Federação das Indústrias do Estado de Goiás (FIEG), o avanço controlado dos preços e a retração nas operações de crédito sinalizam uma perda de tração na atividade econômica, especialmente no segmento industrial, onde a confiança dos empresários se mantém estável em patamares baixos e a capacidade instalada não avança.

Esses indicadores corroboram um cenário de resfriamento projetado por veículos como Folha de S.Paulo e Estadão, que destacam a necessidade de vigilância fiscal e monetária para evitar contágios maiores em 2025.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA-15), prévia oficial da inflação, subiu 0,48% em setembro, ante queda de 0,14% em agosto, impulsionado principalmente pela alta de 12,17% na energia elétrica residencial, após o fim do Bônus de Itaipu – que sozinho explicou 0,47 ponto percentual do índice.

Apesar da pressão no grupo de Habitação (alta de 3,31%), o resultado ficou abaixo do consenso de mercado (0,51%), sugerindo que os efeitos da Selic – elevada para conter demandas – começam a surtir impacto na moderação de custos. Paralelamente, o Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) avançou 0,42%, acelerando ante os 0,36% de agosto, mas com recuo acumulado de 0,94% no ano e alta de 2,82% em 12 meses, indicando pressões moderadas de matérias-primas.

Essa dinâmica de preços mais comportada é atribuída pela FIEG aos efeitos da política monetária restritiva, que eleva o custo do dinheiro e desestimula o consumo excessivo. "A Selic atua como freio para a demanda agregada, limitando repasses inflacionários, mas ao custo de uma desaceleração mais ampla", afirma o relatório da entidade goiana, que representa o polo industrial do Centro-Oeste.

No segmento industrial, os impactos são evidentes: a sondagem da Fundação Getulio Vargas (FGV) registrou leve alta no Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI), de 90,4 para 90,5 pontos, impulsionada pela melhora na situação atual (de 93,4 para 95 pontos), mas contrabalançada por expectativas em queda (de 87,6 para 86,1 pontos). A utilização da capacidade instalada permaneceu estável em 82,6%, sinalizando estagnação na produção fabril, sensível a juros altos que encarecem investimentos e estoques.

O crédito, por sua vez, reflete o aperto monetário: as concessões do Sistema Financeiro Nacional (SFN) somaram R$ 633,8 bilhões em agosto, com queda de 0,2% nas séries ajustadas, puxada por retração de 2,3% nas operações com empresas – justamente o calcanhar de Aquiles do setor industrial, dependente de financiamentos para expansão. Para famílias, houve alta de 1,5%, mas a taxa média de juros subiu 0,2 ponto percentual no mês e 4,2 p.p. no ano, para 31,8%, tornando empréstimos mais onerosos e freando o consumo de bens duráveis, como máquinas e equipamentos.

"Empresas industriais enfrentam um dilema: margens apertadas por custos elevados e crédito escasso para inovação", pontua a análise da FIEG, ecoando preocupações do Valor Econômico, que em reportagem recente destacou a estabilidade frágil da indústria no segundo semestre, com emprego avançando apenas 0,2% em julho, mas com massa salarial em recuo de 0,1%.

No front externo, há alívios pontuais: o déficit em transações correntes caiu 34,7% em agosto, para US$ 4,7 bilhões, e o acumulado em 12 meses recuou para US$ 76,2 bilhões (3,51% do PIB), beneficiado por Investimentos Diretos no País (IDP) de US$ 7,99 bilhões, acima das expectativas. Isso sinaliza resiliência no influxo de capital produtivo, positivo para a indústria exportadora goiana, mas insuficiente para contrabalançar a desaceleração doméstica. Indicadores de confiança da FGV mostram sinais mistos: o Índice de Confiança do Comércio (ICOM) subiu 1,6 ponto para 84,7, e o de Serviços (ICS), 1,9 ponto para 89,0, interrompendo quedas recentes, mas com expectativas cautelosas para o fim do ano.

Esses dados da FIEG se alinham às principais coberturas da imprensa nacional. A Folha de S.Paulo, em matéria de 25 de setembro, reportou o IPCA-15 de 0,48% como "pressão da energia", mas abaixo do esperado, reforçando a visão de que a Selic – em novo ciclo de alta desde setembro de 2024 – está contendo a inflação acumulada em 5,32% em 12 meses, embora acima do teto da meta (4,5%). O jornal também destacou a redução na previsão de crescimento do PIB para 2025 (de 2,5% para 2,3%), atribuída à política de juros, o que corrobora a perda de fôlego no crédito e na indústria.

O Estadão, por sua vez, alertou em análise de 10 de janeiro (atualizada com dados de setembro) para riscos de estouro da meta inflacionária em 2025, com projeções de IPCA em 4,99%, pressionado por desvalorização cambial e atividade aquecida – mas os números recentes de preços moderados sugerem que a Selic pode estar "esticando o elástico" o suficiente para evitar um descontrole maior. Já O Globo, em reportagem de 4 de janeiro sobre retração na confiança (com dados de setembro incorporados), vincula a queda no ICEC do comércio (para 97,2 pontos, nível pandêmico) à deterioração do crédito, ecoando a alta de juros que afeta diretamente o varejo industrial e o consumo de bens manufaturados.

Olhando adiante, a FIEG projeta para agosto um saldo de 215 mil vagas formais no mercado de trabalho – superior a julho, mas inferior a 2024 –, com taxa de desocupação em 5,5%, confirmando desaceleração. O déficit primário do Governo Central deve atingir R$ 22 bilhões, reforçando incertezas fiscais, como noticiado pelo Valor Econômico em cobertura sobre déficits nominais projetados em 8,6% do PIB para 2025 – o segundo maior do mundo, atrás apenas da Bolívia. Para o setor industrial, isso significa mais pressão: sem fôlego fiscal para estímulos, a dependência da Selic como âncora pode prolongar a estagnação, com riscos de contaminação para cadeias produtivas como a goiana, forte em agroindústria e metalurgia.

Esta análise ilustra um equilíbrio precário: a Selic doma a inflação, mas ao custo de um freio no crédito e na indústria, em um ano de transição para o novo arcabouço fiscal. Como bem resume o Estadão em editorial recente, "a moderação nos preços é vitória monetária, mas o desafio é evitar que a desaceleração vire recessão". Para 2026, o orçamento federal – em debate no Congresso – será pivotal para restaurar confiança e impulsionar investimentos produtivos.

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