Entre as primeiras medidas do presidente brasileiro estão a revisão do sigilo imposto por Bolsonaro a documentos da administração, a suspens...

Entre as primeiras medidas do presidente brasileiro estão a revisão do sigilo imposto por Bolsonaro a documentos da administração, a suspensão do registo de armas e da autorização de clubes de tiro e o restabelecimento do Fundo Amazônia.

Nos seus discursos, primeiro no Congresso e depois aos apoiantes que se concentravam em Brasília, Lula não poupou críticas à gestão de Bolsonaro e à "minoria violenta e antidemocrática" que apoiava o antecessor. "Não carregamos nenhum ânimo de revanche contra os que tentaram subjugar a nação a seus desígnios pessoais e ideológicos, mas vamos garantir o primado da lei. Quem errou responderá por seus erros, com direito amplo de defesa, dentro do devido processo legal", prometeu Lula.
"Se estamos aqui hoje é graças à consciência política da sociedade brasileira e à frente democrática que formamos ao longo dessa histórica campanha eleitoral. Foi a democracia a grande vitoriosa nesta eleição", afirmou o presidente perante os deputados, enaltecendo a "atitude corajosa do Poder Judiciário, especialmente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral)" durante o período eleitoral.
"O Brasil não quer mais armas, quer paz e segurança para seu povo"
O novo presidente aproveitou o primeiro dia do mandato para tomar algumas medidas simbólicas que representam um corte com o passado recente, como a revogação de uma das principais bandeiras de Bolsonaro. "Estamos revogando os criminosos decretos de ampliação do acesso a armas e munições, que tanta insegurança e tanto mal causaram às famílias brasileiras. O Brasil não quer mais armas, quer paz e segurança para seu povo", afirmou Lula. Entre as medidas aprovadas estão a suspensão do registo de novas armas de uso restrito de caçadores, atiradores e colecionadores, a suspensão de autorizações de novos clubes de tiro, o recadastramento de todas as armas adquiridas a partir do decreto de 2019, a proibição do transporte de arma municiada e da prática de tiro desportivo para menores de 18 anos, a redução de seis para três na quantidade de armas para o cidadão comum e a criação de um grupo de trabalho para propor em 60 dias a nova regulamentação do Estatuto do Desarmamento.
Outras medidas simbólicas foram tomadas no plano ambiental, em que se destaca o restabelecimento do Fundo Amazônia e a revogação da medida do anterior governo que incentivava o garimpo ilegal naquela região, em terras indígenas e em áreas protegidas.
No plano da transparência, Lula deu ordem para que a Controladoria Geral da União avalie num prazo de 30 dias as decisões de Bolsonaro que restringiram o acesso público a documentos da sua administração, nalguns casos por um período de cem anos. E revogou um decreto do anterior Presidente que criou barreiras para a participação social na discussão e elaboração de políticas públicas.
Bolsonaro fugiu para a Florida horas antes de perder imunidade
O ex-presidente Jair Bolsonaro já tinha dito que não iria estar presente na passagem de testemunho. Após um longo período de silêncio nas semanas que se seguiram à sua derrota eleitoral, Bolsonaro partiu no final da semana para Orlando, na Florida, um destino popular para os que no seu círculo político procuram escapar à justiça brasileira, como foi o caso da deputada filmada a perseguir de arma em punho um apoiante de Lula durante a campanha.
Bolsonaro é alvo de várias investigações judiciais e com a perda de imunidade essa investigação passa da Procuradoria Geral da República para instâncias inferiores do Ministério Público, com a Polícia Federal a poder investigar sem depender de autorização do Supremo Tribunal. Assim, o ex-presidente pode mesmo ter de responder em tribunal por crimes ligados à divulgação de notícias falsas sobre a vacina contra a covid-19, a divulgação de informação confidencial sobre o inquérito aos ataques contra o Tribunal Superior Eleitoral, o caso das milícias digitais com a divulgação de notícias falsas e ataques contra juízes do Supremo e a interferência na atuação da Polícia Federal, denunciada pelo ex-ministro e atual senador Sergio Moro quando saiu do governo.Além destes inquéritos, Bolsonaro também responde em uma dúzia de ações por suspeita de crime contra o sistema eleitoral, por causa dos constantes ataques contra o sistema e as autoridades que o controlam.








COMENTÁRIOS