E Moro desce a ladeira...

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Em seminário nos EUA (para o qual foram convidados Dilma e outras personalidades) Moro afirma que caixa dois "não estará fazendo mal a ninguém" e que "caixa dois para eleição é pior do que para enriquecimento próprio".

Faz muito que pessoas de todas as matizes políticas com um mínimo de senso crítico denunciam a falta de equidistância de Moro. Sempre existem "dois pesos e duas medidas" para o juiz de piso do Paraná. Mas agora ele perdeu o pudor de assumir que nunca teve pudor.

A fala de Moro tem quatro pontos a serem analisados. O primeiro é ser extremamente próxima a de Gilmar Mendes (para quem caixa 2 "pode não ser crime") o que pode significar mais claramente que a "sangria está estancada". Quem pagou, pagou por seus crimes. Quem não foi pego ou não é de esquerda relaxe, que no Brasil a lei não é para todos.

O segundo ponto é a falta de conhecimento político de Moro. Abisma que um agente de estado tenha tão pouca bagagem nesta área. Se "não existe almoço grátis" (moto espiritual dos seguidores de Moro), o que faria um empresário dar dinheiro a candidatos? Porque se o empresário sabe do caixa dois ele está explicitamente comprando representantes do legislativo. Seria isto um tipo de "oferta" tal qual cita o probo bispo Malafaia? Uma "oferta" ao Deus da democracia?

Moro zomba da população. Caixa 2, senhor Moro, para enriquecimento ilícito é um crime continuado. Em cada votação que o parlamentar se manifestar estará ali, continuadamente, a corrupção.

O terceiro ponto a ser destacado é Moro achar que "para eleição é pior". Isto remete a uma ideia de democracia por sufrágio apenas. Como se vilipendiar o momento do voto fosse o único em que se pudesse destruir a democracia. Subjecente à fala de Moro está ali a ideia de que "enganaram o povo" no momento mais sagrado, o único momento de democracia. É uma percepção bem comum de quem quer reduzir democracia a voto para que o "povo" só se manifeste neste momento. Depois deixe para "experts".

O último ponto que assusta, é o fato de que, coadunadas com outras entrevistas de Moro, ele afirma que o caixa 2 só é crime para quem vence a eleição. E quem venceu as eleições nos últimos 20 anos foi a esquerda. Ele já havia dado esta desculpa em terras gringas quando perguntado porquê não investigava o PSDB. Disse que o PSDB não era "governo".

Não questiona-se a Lava a Jato pelo que ela fez e sim pelo que ela não faz. Ao não ser imparcial, não atentar à constituição, não ser discreta e ao não respeitar os limites judiciais, a Lava a Jato se torna o maior instrumento de política do país. Maior até do que as urnas. Moro é, assim, por sua própria teoria, muito pior que qualquer caixa 2.

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