O ciclo perverso de Temer é uma cópia da ‘década perdida’ dos anos 80

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Por Fernando Horta*
Foto: http://economic-basic.ru

Acho que agora as pessoas comuns são capazes de entender os chamados “ciclos virtuosos” e “ciclos perversos” da economia.

No governo Lula havia o chamado ciclo virtuoso. O Brasil vendia mais, por isto produzia mais. Com a produção e vendas aquecidas pagava-se mais impostos e o Lula destinava estes impostos ao aumento dos salários, programas sociais e infra estrutura. Com isto aumentava o consumo, que fazia aumentar a produção e assim os impostos arrecadados. Levando ao reinício do ciclo.
Havia a questão do mercado externo aquecido? Havia.
Havia a questão do boom das commodities? Havia.

Mas o essencial foi a utilização da mesma lógica do New Deal americano para a economia brasileira.

Qual o preço disto? Empresas vão lucrar mais na escala e não no aumento das margens, empresas estatais terão seus lucros reduzidos para servirem de apoio ao ciclo todo (mantendo preço da gasolina, luz e etc.). Ocorre valorização do trabalho para manter o mercado interno aquecido o que provoca transferência de renda dos mais ricos para os grupos medianos e pobres.

Agora o ciclo perverso de Temer que é uma cópia do nosso período dos anos 80 que foram chamados de “década perdida” onde tínhamos “estagflação” (estagnação econômica mais alta inflação).

No governo Temer, reduz-se o custo da mão de obra o que impacta imediatamente no tamanho do mercado interno. Com menos gente para comprar as empresas produzem pouco para manter o preço alto e demitem para baixar os custos. Com demissões e diminuição da atividade econômica cai a arrecadação da união e das empresas estatais. Esta queda serva para Temer mostrar o “peso” dos programas sociais e falar em acabar com eles e vender empresas públicas “não lucrativas”. Com estas vendas, ocorrem mais demissões e o rebaixamento do valor do trabalho (já que sobra gente a lutar por qualquer valor a ser pago) e assim diminui ainda mais o consumo e a arrecadação. As empresas privatizadas não têm seus serviços melhorados e apenas seu mercado expandido, aumentando tarifas e gerando lucro para iniciativa privada a partir dos investimentos que foram feitos enquanto a empresa era pública.

Com mais gente desempregada e o consumo menor diminui a arrecadação e isto é desculpa para mais cortes de direitos e privatizações. E assim o ciclo volta a acontecer até o extermínio físico da população. 

A eventual diminuição “do tamanho do estado” é falácia pois diminui o estado produtor e aumenta o repressor. Tem que contratar mais policial, comprar mais aparato e gastar mais em mídia para continuar batendo em povo pobre e matando gente com fome ou sem casa com a conivência da classe média.

Qual o preço disto? Transferência de renda para os mais ricos, privatização de todas as riquezas para pagar “déficits” criados a partir do ciclo perverso. Diminuição do valor do trabalho e prevaricação da mão de obra. Como se contém a inflação? Diminuindo o consumo e aumentando os juros.

É o fim do país...
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