Combustíveis pressionam inflação

Partilhar:
Danntec Engenharia

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) surpreendeu e acelerou para 0,86% em fevereiro, o maior percentual para o mês em cinco anos, ante 0,25% em janeiro, divulgou o IBGE nessa quinta (11/3).

— Segundo economistas, dois fatores explicam boa parte da surpresa altista de fevereiro: a desaceleração menor do que a esperada em alimentos (de 1,02% em janeiro para 0,27% em fevereiro) e o avanço mais forte em transportes (de 0,41% para 2,28%), puxado pelos combustíveis. A alta em educação (de 0,13% para 2,48%) já era prevista.

— A gasolina exerceu a maior contribuição individual positiva para o IPCA do mês passado, de 0,36 ponto percentual, ao acelerar de 2,17% para 7,11%. Já a alta no etanol passou de 1,73% para 8,06%. Com isso, os preços dos combustíveis de veículos avançaram de 2,13% para 7,09%, e o grupo de administrados, do qual eles fazem parte, passou de 1,81% para 3,81%.

— Em 12 meses, o IPCA sobe 5,2%, virtualmente batendo no teto da banda de tolerância, de 5,25%, o resultado mais elevado desde janeiro de 2017 (5,35%), aponta Pedro Kislanov, gerente do Índice de Preços ao Consumidor do IBGE.

— Sem perspectiva de grande alívio também para os próximos meses em itens que têm influenciado as altas recentes, como combustíveis e bens industriais, diversas casas revisaram projeções para 2021, de modo que uma inflação de 4% no fim do ano parece, agora, o piso, e algumas estimativas rondam os 5%. A meta é de 3,75%, com 1,5 ponto percentual de tolerância, para mais ou para menos.


Os contratos futuros do petróleo fecharam em alta nessa quinta (11/3), impulsionado pelo otimismo em torno da recuperação econômica dos EUA, depois que o pacote de estímulos fiscais de US$ 1,9 trilhão foi sancionado pelo presidente Joe Biden, e do aumento da demanda projetado pela OPEP.

— O Brent para maio fechou em alta de 2,54%, a US$ 69,63 o barril, enquanto o WTI para abril avançou 2,45%, a US$ 66,02 o barril

— A OPEP revisou para cima a sua projeção de crescimento da demanda por petróleo para 2021. De acordo com o grupo, a demanda deve crescer em 5,89 milhões de barris diários neste ano, de 5,79 milhões na projeção anterior.

O ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, garantiu pessoalmente a parlamentares a manutenção da mistura obrigatória de 13% de biodiesel (B13) no diesel fóssil. “Não vamos cometer nenhum equívoco nesse momento de retomada econômica”, afirmou.

— Albuquerque recebeu representantes do mercado na quarta (10/3) para selar o compromisso. Também participaram da reunião parlamentares da Frente Mista do Biodiesel.

— O governo federal cogitou reduzir a mistura para 8% (B8). A Confederação Nacional do Transporte (CNT) defendeu a possibilidade de zerar a mistura de biodiesel, com o intuito de baixar o preço do diesel diante das sucessivas altas do combustível nas bombas.

— A ideia chegou a encontrar apoio entre a equipe econômica, mas produtores de biodiesel e o setor de proteína animal agiram para reforçar ao Ministério da Economia que a suspensão da política para o biocombustível causa mais dano do que benefícios.

— Além do MME, a proposta de redução da mistura de biodiesel encontrou resistência na Agricultura, comandada pela ministra Tereza Cristina.


Lei do Gás. A agenda da Câmara, como vinha indicando a disputa em torno da PEC Emergencial, impediu a votação esta semana, mas o novo marco legal do mercado de gás natural vem sendo tratado como prioridade para sessão da próxima quinta, 18 de março.

Geração distribuída. Parlamentares menos entusiasmados com a aprovação da Lei do Gás original da Câmara – sem as emendas do Senado – apostam que votação pode ser estender por mais de uma sessão. Pode atrapalhar o plano para votação do novo marco da geração distribuída.

— O deputado Lafayette de Andrada (Republicanos/MG) apresentou seu parecer preliminar nesta semana. A tentativa de buscar um equilíbrio entre o interesse de consumidores, distribuidoras de energia e o setor de geração distribuída e solar não impede que todas as partes envolvidas tentem modificar o projeto final.

— As áreas técnicas do governo e da Aneel defendem uma retirada mais contundente de benefícios para os consumidores-produtores de energia com sistema de geração distribuída.

— O setor solar e de GD tem sido enfático que é preciso considerar todos os benefícios da solução e da fonte fotovoltaica e que o saldo dos estímulos é positivo. Têm conseguido o apoio de Bolsonaro.

Mais Câmara. O mercado de gás natural e o novo marco regulatório para o setor elétrico estão nas prioridades para a Comissão de Minas e Energia (CME) da Câmara dos Deputados em 2021, segundo o novo presidente do colegiado deputado Édio Lopes (PL/RR), eleito nesta quinta (11).

“Nós temos tanta matéria que é prioritária, que seria para ontem, como a questão do gás, que estamos no finalmente, o novo marco regulatório da energia elétrica, e a questão mineração do Brasil”, comentou Lopes.


BR do Mar. Projeto do Ministério da Infraestrutura para estimular a navegação de cabotagem pode ser votado em 23 de março. Data foi definida ontem em reunião de líderes no Senado Federal.

— O relator Nelsinho Trad (PSD/MS) trabalha em uma proposta de consenso entre o que foi aprovado na Câmara dos Deputados, com apoio do governo, e sugestões defendidas no Senado Federal.

— A senadora Kátia Abreu (PP/TO) tem participado intensamente da articulação: ela defende maior abertura para contratação de fretes na cabotagem e redução de custos com o pagamento do adicional para o Fundo de Marinha Mercante. Medidas que visam à beneficiar o agronegócio, com redução de custos logísticos.

Castello Branco na Vale De saída da Petrobras, após decisão do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) de substituí-lo pelo general Joaquim Luna e Silva, Roberto Castello Branco deve concorrer a uma vaga no conselho da Vale, e poderá até disputar a presidência do colegiado.

— A candidatura foi confirmada ao Valor por um grupo de investidores que decidiu lançar nomes alternativos à lista apresentada pela companhia.

— A Assembleia Geral Ordinária (AGO) que vai eleger os conselheiros está marcada para 30 de abril.

— Em 1999, Castello Branco se tornou economista-chefe da então Companhia Vale do Rio Doce, que depois de privatizada se tornou a atual Vale. Ele ficou na empresa por 15 anos.

Dados gratuitos. Diretoria da ANP aprovou a disponibilização, de forma gratuita, de dados técnicos públicos das bacias sedimentares terrestres brasileiras, que, até então, eram pagos.

— “O objetivo é promover a ampliação do conhecimento geológico sobre as bacias terrestres e fomentar os investimentos em exploração e produção de petróleo e gás natural nas áreas já sob concessão e a serem oferecidas em futuras rodadas de licitações”, diz a agência.

— As informações que serão disponibilizadas se referem a 23 bacias sedimentares terrestres e equivalem a um volume estimado de aproximadamente dois terabytes (2 TB). Trata-se de dados digitais de poços, de sísmica pos-stack 2D, sísmica pos-stack 3D e dados de métodos não sísmicos. Os dados sísmicos pre-stack não serão contemplados nessa disponibilização gratuita.

Shell afreta petroleiros a GNL. A Shell afretará dez novos Very Large Crude Carriers (VLCC) movidos a gás natural liquefeito (GNL), na busca pela redução das emissões de carbono de sua frota de petroleiros.

— Os dez navios serão construídos pela DSME na Coreia do Sul, com entregas a partir de 2022. Os afretamentos cobrirão sete anos.

— A Shell disse que os afretamentos atendem à política de investir significativamente em GNL para a sua frota com contratos de afretamento de longo prazo — serão 14 navios de GNL bicombustível em serviço até o final de 2021.


BR vende participação em projetos térmicos. Empresa concluiu a venda da totalidade de sua participação acionária nas empresas Pecém Energia S.A. (45%) e Energética Camaçari Muricy II S.A. (50%) para a brasileira CH4 Energia, controlada pela New Fortress Energy, dos EUA.

— O contrato de compra e venda das termelétricas foi assinado em 5 de fevereiro. Na época, o valor anunciado do negócio foi de R$ 50 milhões, reajustado pelo IPCA, dos quais R$ 21,250 milhões a serem pagos no ato de fechamento do negócio e R$ 28,750 milhões restantes quitados em até cinco dias úteis após o início das operações comerciais das sociedades vendidas.

— As sociedades Pecém e Muricy, ainda em fase pré-operacional, são responsáveis pela implantação, no estado da Bahia, das UTEs Pecém II e Muricy II, termelétricas a óleo diesel e a gás natural. Os projetos arremataram contratos em leilão de energia nova.

Cemig registra projetos solares na Aneel A estatal mineira de energia Cemig entrou com pedido junto à Aneel para o registro de projetos de geração solar em desenvolvimento pela companhia.

— A agência registrou o recebimento de pedidos de outorga da Cemig Geração e Transmissão, subsidiária da estatal, para usinas fotovoltaicas a serem desenvolvidas em São Gonçalo do Abaeté (MG), segundo despacho da Aneel no Diário Oficial da União de quarta (10/3).

— Os empreendimentos da Cemig, que formariam o complexo Jusante, somariam uma capacidade instalada total de 70 MW, dividida em sete empreendimentos com 10 MW cada, segundo documentos da Aneel. Reuters

Com informações de Epbr
Por Gustavo Gaudarde

Partilhar:

economia

energia

0 comentários: