Defesa do ensino remoto traz verniz moderno para um ataque brutal

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Propagandeado como inovação, o ensino a distância (EAD) serve para desmontar as escolas e reduzir a educação a uma instrumentalização técnica para formar trabalhadores


Em entrevista ao Estadão, dono da Khan Academy afirmou que “a escola não precisa ser o único lugar do aprendizado”. É interessante como uma premissa correta pode servir como pretexto para a defesa de políticas nocivas à maioria da população.

Ao ler a frase citada no parágrafo acima, pode-se até pensar que Salman Khan está defendendo, por exemplo, aulas de biologia em parques e unidades de conservação ou ainda visitas escolares a museus e monumentos históricos. Ao contrário desses exemplos, o que o empresário busca promover é o ensino a distância (EAD).

Para rechear sua propaganda pró-EAD, Salman faz uma série de ponderações meramente demagógicas, como uma vaga proposta de equiparar o acesso à internet, e aos dispositivos celulares e computadores, com o acesso à água, luz e saneamento básico. Ou dizer que se tiver que escolher entre um “professor incrível e uma tecnologia incrível” fica sempre com o primeiro.

É claro que todos deveriam ter acesso, não só aos computadores e celulares e à internet, mas a todos os bens produzidos no mundo. Mas a realidade no capitalismo está muito distante disso.

Apresentada como uma organização sem fins lucrativos, que pede doações para funcionar, a Khan Academy anuncia no próprio site que teve ajuda inicial de “parceiros” como Bank of America, Fundação Lemann, Bill & Melinda Gates Foundation, AT&T e Google, entre outros. Quando tubarões do capitalismo monopolista aparecem fazendo filantropia, é preciso uma boa carga de desconfiança.

Atrás do conveniente disfarce de plataforma gratuita, o que está em ação é uma campanha de popularização do EAD, um produto que traz custos muito mais reduzidos para os capitalistas do setor da educação. Relativizando a importância do espaço da escola e das interações que ocorrem nesse ambiente, o alvo desses empresários são os custos com mão de obra, manutenção e impostos.

Trabalhadores de setores como alimentação e vigilância, entre outros, são simplesmente descartados nos modelos de EAD. Outro aspecto muito importante em relação à mão de obra é a substituição da figura do professor pela do tutor, com salário bem inferior. Quando Salman diz que o professor “pode fazer a tutoria”, o que está implícito é que o professor deixa de ser uma figura obrigatória no processo educacional.

A própria limitação da abrangência dos cursos oferecidos na plataforma da Khan Academy, explicita o caráter desse tipo de “educação”. Os eixos principais dos cursos são: matemática, matemática avançada, ciências e engenharia e computação. No eixo “ciências humanas”, um insosso e incompleto curso de “história da arte”. Ou seja, o foco é a formação técnica para atender a demandas do mercado, ou seja, dos capitalistas.

Esse amplo ataque à educação precisa ser combatido pelas comunidades escolares e acadêmicas, especialmente pelos estudantes secundaristas e universitários, que são setores historicamente importantes na luta política.

Com informações do Diário Causa Operária
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