Partidos são muito mais do que movimentos, por Lauri Bernardes

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Tem crescido no Brasil nos últimos anos, com a democratização do acesso à internet e também o descrédito de boa parte da classe política e dos movimentos sociais, a existência dos diversos movimentos “oriundos” da sociedade civil. Repaginando as experiências do IPES/IBAD nos anos 1960, estes movimentos, conhecidos como “think tanks”, investem na eleição de novos parlamentares, sob o pretexto de “defesa da democracia”.

Aliás, estes movimentos políticos, que se dizem “apartidários” e defensores da “nova política”, atuam politicamente em formatos considerados como “horizontalizados” e “democratizantes”. Tal motivo se dá com o intuito de questionar o modus operandi das práticas “tradicionais” verticalizadas dos partidos políticos e dos seus respectivos dirigentes e quadros.

Acontece que estes movimentos e grupos, acabam paradoxalmente ingressando nos partidos políticos para concorrer nas eleições a cada dois anos, mostrando não apenas a falta de conhecimento das ideologias daqueles partidos que decidiram se filiar, mas a prática deletéria do oportunismo – por sinal, um notório vício da velha política.

O caso mais recente, ocorrido em meados de 2019 dentro de partidos históricos como o próprio PDT e no PSB, é um exemplo real do mal-estar promovido por quadros destes movimentos eleitos no interior dos partidos.

Porém, estes movimentos possuem quadros infiltrados em vários partidos no Brasil, tentando inserir a pauta e a linha destas think tanks no interior destas organizações partidárias.

Logo, torna-se inconcebível a prática política de nomes que conquistam votos ao discursar contra os partidos e a “política tradicional”, mas que recorrem às mesmas siglas para terem mandato e, muitas vezes se utilizam do material, do espaço midiático e dos recursos do fundo partidário nas eleições para simplesmente vencerem o pleito ou colocarem em prática suas “próprias” ideias e dos seus movimentos.

O que acontece depois de eleitos é que essas novas lideranças desconhecem os princípios doutrinário-ideológicos dos partidos que escolheram para concorrer e, em nome da “nova política”, cometam as práticas vezeiras da velha política como a infidelidade ideológica e a indisciplina partidária.

Do contrário, o que explicaria deputados federais do PDT e do PSB, votarem contra os direitos dos trabalhadores na Reforma da Previdência? Aliás, bandeiras conquistadas pelas lutas históricas do povo brasileiro!

Portanto, qual é a identificação destes parlamentares com as siglas que escolheram e que agora mostram “desconhecer” em sua essência? Como não houve uma condigna explicação à altura dos mesmos deputados pertencentes a estes movimentos pára-partidários?

Então, os partidos políticos, que são muito maiores do que um movimento, tiveram que agir e acionar as suas respectivas Comissões de Éticas partidárias.

Quando um determinado partido democrático ou popular procura orientar os seus parlamentares em relação a uma votação sobre um projeto essencial a respeito dos direitos dos trabalhadores, todos devem seguir, pois esta linha se confunde não apenas com os seus princípios, mas com a própria razão de ser desta organização e a sua trajetória histórica.

Sendo assim, a punição aos dissidentes se torna inevitável, até porque está em jogo a imagem da agremiação partidária e a manutenção de sua unidade e identidade. E, um partido ou organização com história não pode ser menor que um movimento bancado por grupos nem sempre dedicados a interesses democráticos e coletivos.

Afinal, os partidos representam, há anos, os anseios e as demandas de diferentes classes e categorias da população. E isso vale tanto para os partidos de direita, quanto para os de esquerda.

Se tais lideranças destes movimentos consideram que representam a sociedade tal qual os partidos políticos atuais, que façam os seus próprios partidos. Aliás, não usem a confiança e a estrutura dos partidos políticos existentes. Basta recolher as assinaturas necessárias junto ao TSE, assim como recentemente vem fazendo o presidente Jair Bolsonaro e seu novo partido de extrema-direita, o “Aliança pelo Brasil”.

Logo, não há espaços para esses movimentos dentro dos partidos políticos constituídos.

Com informações de  Esther Franco / PDT

*Lauri Bernardes é historiador, presidente estadual e secretário-geral nacional do Movimento Cultural Darcy Ribeiro (MCDR)
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