Conjuntura pré eleição: Todos esperam por Lula

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Por Fernando Horta

Em entrevista para o Valor, o cientista político Wanderley Guilherme dos Santos diz ser errada a atitude de Lula de se manter candidato. A entrevista tem muito pouco a mais, além disto. Talvez tenha sido apenas por esta declaração que ele deu entrevista no Valor.

Ciro, ataca Lula pessoalmente e diz que qualquer coisa é mais fácil do que "o PT apoiar alguém". Certamente tentando um irracional duplo mortal carpado na retórica. Ofende, mas quer o apoio.
Manuela diz que Lula é grande, mas a esquerda é maior e segue com ou sem Lula. Comentário que é certo do ponto de vista de um comunista, mas não de um latino-americano. Comentário desnecessário e que apenas mostra que Manuela ainda não está pronta para a campanha que o partido lhe jogou.
O psol lança Boulos, que fica num movimento pendular entre o think tank Paula Lavigne e o apreço de Lula. O psol já levantou o tom contra Lula, já baixou, mas os fiadores da candidatura Boulos estão entre os "antilulistas" viscerais, e nisto há uma contradição insanável com Boulos. O psol parece apostar na "estrela da base" para jogar o grande jogo no lugar do craque consagrado. A história mostra que são poucas as chances de isto dar certo, e imensas as de Boulos sair inviabilizado politicamente.

A verdade é que todos orbitam Lula como abutres na carniça.

Sozinhos, dada a incompetência de seus partidos nos últimos anos, não chegam sequer a 10% dos votos. O mesmo acontece com qualquer nome do pt que não seja Lula.
A esquerda toda foi incompetente e agora o lugar comum é culpar o pt "por não ter dado espaço para novas lideranças". O discurso é esquizofrênico, de um lado se insurge contra um suposto domínio oligárquico da esquerda e do outro acusa a mesma oligarquia pelo insucesso das esquerdas. É como falar contra "painho" e depois pedir-lho "bênção".

Todos os candidatos de esquerda, entretanto, sonham com a possibilidade de serem escolhidos por Lula como "seu candidato" e, assim, terem a única chance de irem ao segundo turno. A luta é, portanto, se fazer "unicamente viável" e esperar a cavalaria lulista para poder sair da defensiva.

Todos, entretanto, agem errado.
E Lula, "para variar", age corretamente.


Lula não deve se decidir, nem se afastar. Se fizer isto legitima os absurdos da direita e do judiciário e inviabiliza qualquer candidatura da esquerda. Por se manter como alvo, Lula VIABILIZA e ajuda a todos os candidatos da esquerda. Ainda que alguns, por falta de capacidade interpretativa da realidade, não consigam entender. O nível de desrespeito, ilegalidade e arbitrariedade estão tão altos no Brasil que se Lula saísse da disputa agora, todos os candidatos da esquerda, tanto os atuais quanto qualquer um que viesse a surgir, seriam abatidos pelo complexo mídia-judiciário. E se sobrevivessem cairiam para a tropa de choque de Temer e Etchegoyen.

Ao caminhar serenamente para as eleições, Lula caminha para seu destino. Destino, que, como disse Wanderley em tom desesperado, "ninguém sabe qual é". Ninguém, nem a direita. Nem os fascistas e nem mesmo o judiciário. Lula neste momento cumpre 4 papéis: (1) mantém-se como alvo das ilegalidades e assim escudo de toda a esquerda, (2) causa consternação e dúvida em todas as esferas do golpe, (3) mantém acesa as esperanças de ação política dos mais pobres (evitando a alienação política por desilusão) e (4) aumenta exponencialmente os custos das arbitrariedades.

Todos os outros candidatos de esquerda, por ignorância ou má fé, não cumprem rigorosamente nenhum papel além de papagaios a se autodestruírem. A verdade é que a esquerda não apresenta nenhum quadro alternativo à altura da tarefa que está posta. Por sorte, a direita também não tem ninguém minimamente capaz.

O que eu diria a todos os envolvidos, e em especial a Wanderley Guilherme, é um conselho de minha avó: "Se não sabe como ajudar, ao menos não atrapalhe".
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