Eleitor sem referências abre caminho para aventureiros

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Em debate, cientistas políticos avaliam resultados de pesquisas que buscam entender o que os eleitores brasileiros estão pensando



Paeco: o integrante da classe C “constrói uma referência de quem está mais próximo e quem está mais distante dele e faz suas escolhas”

A crise política pode estar levando o eleitor brasileiro a perder suas referências e isso abre caminho para aventureiros se destacarem nas próximas eleições. O alerta foi feito nesta quarta-feira (12) em debate promovido pelo Espaço Democrático.

A percepção de que pessoas de baixa renda, integrantes da chamada classe C, valorizam a meritocracia e consideram o governo um estorvo é um dos aspectos da pesquisa realizada recentemente pela Fundação Perseu Abramo, ligada ao PT, que coincidem com resultados de trabalho semelhante realizado em 2011, no processo de criação do PSD. Esses pontos em comum foram o ponto de partida do encontro que reuniu cientistas políticos e economistas na sede do Espaço Democrático, a fundação do PSD para estudos e formação política, para debater os anseios do eleitor brasileiro.

Um dos participantes foi Antônio Prado Júnior (Paeco), um dos mais respeitados profissionais de pesquisas do País e proprietário da APPM, empresa de análise, pesquisa e planejamento de mercado. De acordo com Paeco – um dos responsáveis pelo estudo do PSD realizado em 2011 (veja aqui) –, embora os resultados da pesquisa do PT tenham surpreendido seus realizadores, por confrontarem sua visão ideológica, eles precisam ser colocados em perspectiva.


Rubens Figueiredo vê mudanças no modo como a
população avalia questões como a privatização

Paeco destacou que, em primeiro lugar, a pesquisa reflete o que pensam pessoas de baixa renda da periferia da Grande São Paulo, podendo ter resultados muito diferentes em outras regiões do Brasil, onde o governo protetor ainda é muito valorizado. Além disso, lembrou, quando se quer fazer política ou comunicar com essas pessoas, “não se deve ignorar que elas percebem que existe o mundo dos ricos e o mundo dos pobres e sabem das limitações que isso impõe às suas famílias e às suas oportunidades”.

A partir dessa percepção, continuou Paeco, o integrante da classe C “constrói uma referência de quem está mais próximo e quem está mais distante dele e faz suas escolhas, considerando também que nem sempre o mais próximo é o melhor para ele”.

Contudo, ele faz um alerta: “Esse sistema de referências pode estar acabando agora; a classe C está perdendo suas referências e pode ficar sem símbolos na próxima eleição e isso, historicamente, representa o momento para a ascensão de aventureiros populistas ou autoritários”.

Por sua vez, o cientista político Rubens Figueiredo, consultor do Espaço Democrático, destacou que, embora tenham pontos em comum, as pesquisas feitas pelo PSD em 2011 e pelo PT este ano têm cinco anos de diferença entre si. “Nesse período, o Brasil passou por vários cataclismos, como as manifestações de 2013, as eleições de 2014 e em seguida a eclosão da crise econômica em 2015, a Lava Jato e assim por diante”, lembrou.

Nesse processo, disse Figueiredo, houve mudanças no modo como a população avalia questões como a privatização, que antes era considerada crime de lesa-pátria e hoje é vista como solução para a má qualidade de serviços públicos. “Isso certamente reforçou a sensação de que o governo é o inimigo de quem trabalha e não as classes mais ricas, como querem os esquerdistas”, diz o cientista político.


Os Encontros Democráticos vem debatendo temas de interesse da sociedade

No entanto, ele concorda com Paeco quando este diz que o governo ainda é muito importante para ampla parcela da população, em especial a que vive em regiões menos desenvolvidas do País. “Temos que celebrar o liberalismo detectado pelas pesquisas, mas sem deixar de levar em conta a importância do Estado para essas pessoas”, concluiu.

Encontros Democráticos

Os Encontros Democráticos vêm sendo realizados há mais de dois anos com o objetivo de debater temas de interesse da sociedade, com impacto direto na atuação daqueles que estão ou pretendem entrar na vida pública. O propósito final é produzir conhecimento por meio da divulgação de boas práticas de gestão. As palestras e debates são publicadas na íntegra no site do Espaço Democrático.

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