Os desafios do educador diante do pensamento fechado da atual sociedade

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Por Fernando Horta


Sou professor desde 1996. Já dei aula de tudo o que você possa imaginar para todas as pessoas que você puder imaginar. Comecei dando aulas de matemática e física para colegas do pré vestibular. Depois passei a dar aulas de história no pré-vestibular. Depois fui "professor substituto" em duas escolas privadas em Porto Alegre, eu dava aula desde o jardim até o segundo grau. Era "substituto" porque eu substituía que faltava. Cada dia numa turma, numa série, numa matéria. Não tinha plano, não tinha nada... Era eu e as ferramentas didáticas mais simples e gerais que eu conseguisse desenvolver. Dei aulas regulares de história para o antigo primeiro grau, depois para o segundo grau e em seguida voltei a alguns dos cursos pré-vestibulares mais badalados de porto alegre. Dei aulas também de xadrez, para alunos regulares em escolas, e treinei também equipes de xadrez. Com o xadrez, eu dei aulas para crianças em hospitais e detentos em casas prisionais, ensinando a beleza do jogo de 64 casas. Montei equipes com crianças de 7 e 8 anos para jogar contra o segundo grau e adultos. Até hoje os tenho como amigos.

Depois que fiz mestrado, dei aulas para graduação de epistemologia e metodologia de pesquisa, de História e Relações Internacionais. Também de preparação para as provas do Instituto Rio Branco, aulas de História da América, Brasil, Geral e etc. 

Me sinto muito mal toda a vez que vejo um educador desistindo de sua profissão. Me sinto muito mal quando vejo professores desistirem de determinados alunos. Quem foi meu colega sabia que em reunião de professores eu brigava mais com os colegas do que falava de aluno. Minha profissão diz que TODOS podem aprender, nós (professores) é que por vezes não temos a ferramenta certa, erramos na dose...

Estes sempre foram meus padrões profissionais, até descobrir os MBL da vida, os"bolsolovers e os fascistas brasileiros em geral. Não há como ensinar nada a esta gente. É impressionante. Eu sigo tentando, mudo fontes, troco de método filosófico de análise, troco de métodos pedagógico e até agora a resposta foi negativa. Eles parecem blindados ao aprendizado, ao questionamento racional e embasado. Cegos de ódio a atacarem moinhos.

Estamos perdendo a guerra colegas. Estamos perdendo esta geração para o fascismo. E eu sigo inconformado, embora não mais convencido de que "todos podem aprender".
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