PR fecha apoio a Padilha, mas abre crise com PCdoB

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Padilha e Tiririca: acordo
deve valer apenas para
eleição majoritária
Depois de ensaiar um acordo com o PSDB, o PR oficializou ontem o apoio à candidatura de Alexandre Padilha (PT) ao governo de São Paulo. Em troca da aliança, o partido vai indicar o presidente do diretório estadual, Tadeu Candelária, como primeiro suplente do senador Eduardo Suplicy (PT), candidato à reeleição em outubro. A negociação, no entanto, frustrou os planos do PCdoB, que contava com a vaga depois que ela foi oferecida ao partido pelo próprio Suplicy no mês passado. Tradicional aliado dos petistas, o PCdoB ameaça agora romper com Padilha para apoiar Paulo Skaf (PMDB) na disputa ao Palácio dos Bandeirantes.

Vereador Orlando Silva (PCdoB)
Para resolver o impasse, os dois aliados se reuniram na tarde de ontem na capital paulista. A cúpula do PCdoB cobra um espaço na chapa majoritária, seja a vice ou a vaga de primeiro suplente do senador petista. Uma terceira opção seria desmembrar as candidaturas ao Senado na coligação de Padilha. A decisão deve ser anunciada até segunda-feira, prazo final para formalização das chapas. "Se não houver acordo, vamos buscar um novo caminho. Essa possibilidade já foi aberta pelo Skaf. O importante para nós, acima de tudo, é estarmos com partidos da base da presidente Dilma [Rousseff]", afirmou o vereador Orlando Silva, presidente do diretório paulista do PCdoB.

A indicação do vice, contudo, está sendo negociada por PT e PR depois de ter sido oferecida ao PSD, do ex-prefeito Gilberto Kassab, que está dividido entre apoiar PSDB ou PMDB ou lançar candidato próprio. O deputado federal Milton Monti e o médico Cláudio Lottenberg, presidente do Hospital Albert Einstein, são os nomes do PR mais cotados para ocupar a vice de Padilha. O candidato petista desconversou ontem ao ser questionado sobre a formação da chapa. "Isso aí é igual Copa do Mundo. A escalação completa do time só sai uma hora antes do jogo", afirmou. O apoio do PR assegura ao PT, aproximadamente, 1min20s na propaganda eleitoral gratuita. Assim, como as coligações anunciadas, inclusive do PCdoB, Padilha teria cerca de 6min20s no tempo de rádio e TV.

Apesar da aliança na disputa majoritária, os dois partidos não devem se aliar em uma coligação proporcional, como ocorreu em 2010. Nos bastidores, os dirigentes do PR avaliam que o acordo firmado na última eleição beneficiou apenas os petistas. O humorista Tiririca (PR-SP), por exemplo, recebeu 1,3 milhão de votos e ajudou a eleger três candidatos que faziam parte de sua coligação, entre eles, Vanderlei Siraque (PT). A votação expressiva não ajudou a eleger nenhum candidato do PR.

Durante o anúncio de apoio, os dirigentes do PT e do PR procuraram ressaltar a história de alianças entre os dois partidos a partir de 2002, quando José Alencar, morto em 2011, foi escolhido como vice do então candidato à Presidência Luiz Inácio Lula da Silva (PT). À época, o partido chamava-se PL. Lideranças do PR também minimizaram as pesquisas de intenção de voto, que apontam Padilha com 3% e 4% das intenções de voto, e aproveitaram para alfinetar o PSDB. "Tenho certeza que venceremos em São Paulo depois de tanto tempo de PSDB. Vamos quebrar o bico desses tucanos", disse o senador Antonio Carlos Rodrigues (PR), que chegou ao Congresso como suplente Marta Suplicy, hoje ministra da Cultura.

Fonte: Valor
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