Economistas e Mídia (tendenciosos)...

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por Júlio Miragaya (Conselheiro do Conselho Federal de Economia)

Existem no Brasil mais de 120 mil economistas. Centenas ocupam posição de destaque em órgãos públicos federais e estaduais, em entidades empresariais, e em instituições de ensino e de pesquisa. Mas, quando o assunto é avaliação da política macroeconômica do governo, parece que os economistas consultados pela mídia resumem-se a duas ou três dezenas, e são todos do mercado financeiro.


Dessa forma, fica a falsa impressão de que os economistas brasileiros são todos neoliberais e a análise econômica virou “samba de uma nota só”, negando-se a exposição do contraditório, tão importante no debate econômico. Como acreditar na análise imparcial de um economista que integra a equipe de conselheiros econômicos do senador Aécio Neves, pré-candidato de oposição, como é o caso de um recorrentemente consultado técnico do Ipea?

Por que dar ouvidos a um ex-secretário de Assuntos Econômicos do Ministério do Planejamento no Governo Sarney - quando a inflação superou 1.700,00% em 1989 - para analisar (e criticar) a atual inflação de 5,91%? Como dar crédito a um presidente do Banco Central que em 1999 estipulou a Selic em 45% e critica a atual taxa de 10,75%?

Tais opiniões neoliberais fazem coro com a verdadeira “chantagem” perpetrada pelo sistema financeiro, exigindo do governo metas que só interessam aos investidores e especuladores. As desacreditadas agências de risco ameaçam rebaixar a nota do Brasil se não cortarmos os gastos públicos na dimensão que eles exigem. Chega-se ao cúmulo de um desconhecido economista da consultoria Franklin Templeton avisar que “o mercado vai monitorar o governo para garantir os resultados até o final do ano”.

Como pode um governo escolhido por 56 milhões de brasileiros ser ameaçado por um obscuro economista liberal? Está na hora da mídia rever seus conceitos!

Recomendo que leiam, para complementar esse artigo, um outro artigo publicado na Revista do Conselho Regional de Economia do DF, edição 51 que diz o seguinte: ...a atuação da mídia destoa, com importantes órgãos de imprensa “interpretanto” o clamor popular de acordo com as respectivas conveniências políticas, muitas vezes omitindo e distorcendo as informações.
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